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Moda praia sustentável

Aliar qualidade à sustentabilidade. Essa é a premissa da marca Muxima Beachwear. Tendo como inspiração as praias paradisíacas e tropicais de Angola, o conceito da grife surgiu da parceria entre a designer luso-angolana Ana Quaresma e da artista brasileira Maria K. Braga D’Alo.

“Nosso intuito é diminuir e evitar o uso de fibras de origem petrolífera, por isso usamos algodão orgânico nas roupas de banhos. Toda coleção foi tingida à mão com pigmentos naturais, também levando em consideração nossa preocupação com uma das maiores questões ambientais na indústria da moda: a vertente da tinturaria. Todos os dias ela contamina nossos rios e oceanos, desestabilizando nosso ecossistema”, explicou Ana ao Fashion for Better.

Além do algodão orgânico, a marca ainda conta com o linho como matéria-prima para confeccionar acessórios.

“Por ser fresco e resistente ao calor, usamos linho na nossa coleção, especialmente nos cover-ups e nas mochilas”, acrescentou Ana.

Entretanto, desenvolver produtos sustentáveis que não agridem o meio-ambiente e, ao mesmo tempo, conscientizar o consumidor nem sempre é uma tarefa fácil.

“Um dos maiores desafios [para fazer uma moda mais sustentável] é a monopolização do mercado por parte de algumas multinacionais de moda, que praticam preços baixos e convidativos, assim controlando e uniformizando a moda e acabando com a diversidade criativa e a inovação. Outro desafio é a sensibilização por parte do consumidor na sua escolha. Nosso objetivo é incentivar uma compra cada vez mais holística que priorize a qualidade e respeite o planeta e os direitos dos trabalhadores”.

Sensualidade x Sustentabilidade

É possível aliar estilo à sustentabilidade sem deixar de ser sexy? Na opinião de Ana, isso não apenas é totalmente viável, como também faz parte do DNA da Muxima Beachwear.

“Nosso design enaltece a forma feminina sem nunca apelar para o vulgar. Nosso grande diferencial é o uso das fibras ecológicas e métodos artesanais de produção, sem que isso afete nossa relação com a forma. Ser sexy, para nós, não é o que vestimos, mas nossa atitude e a forma como vivemos a vida”, garantiu Ana.

Não é à toa que, após três anos de existência, a marca continua sendo bem aceita pelo público.

“A aceitação tem sido muito positiva, as pessoas gostam essencialmente do equilíbrio entre o design e qualidade, assim como a vertente ecológica. Nossos consumidores acreditam e respeitam nossos pilares éticos”, finalizou.

Para conhecer mais sobre a marca e coleção, acesse o site https://www.muximabeachwear.com

Confira o trabalho da jornalista Patricia Dantas pelo Instagram @patydantas8

 
Ana Quaresma
Featured in Farm Rio
 

Bonita por natureza

Muxima significa "coração" no dialeto angolano Kimbundu, uma das línguas Bantas mais faladas no continente Africano, e é também uma nova marca de beachwear com raízes africanas, swingue brasileiro, sotaque português e um pezinho na Inglaterra, fruto de uma amizade que rodou continentes e pelo amor a terra, ao que ela inspira e produz. 

O resultado são peças naturais, simples e bonitas, como o rosto corado de sol, todas feitas com fibras orgânicas, tingidas manualmente com pigmentos naturais e modeladas pra um corpo que quer ficar a vontade, ouvindo o barulho do mar. As criações das amigas Ana e Maria dão desejo de um tempo sem pressa, mas com muito charme, mais perto da natureza, e quem não quer?

Conversamos um pouco com a Maria Braga D'Alo pra saber um pouco mais sobre essa história:

A Muxima tem nome africano, e foi criada entre Rio, Lisboa e Londres, o que conecta vocês e a marca a todos esses lugares?

Muxima é uma relação de afeto com um continente, com o planeta, que vai além de fronteiras políticas. Assim como o mar, Muxima pra nós é força, beleza e liberdade. Ana, minha parceira, e eu fomos colegas de escola. Nós nos reencontramos em Londres há uns 8 anos atras quando as duas morávamos por aqui… desde então não nos separamos mais, com mensagens semanais e muita sincronia. Ela estudou moda e sempre trabalhou com isso (estamparia, design, textiles). Depois de passar um tempo com a gente no Rio ela se mudou para Luanda, Angola, de onde vem sua família, e lá começou uma linha de biquinis.

No meio tempo, eu comecei a perceber que tinha dificuldade de achar biquinis e maiôs que gostasse nas lojas (peças dos anos 50 e 70 que eu só achava em lojas de segunda mão). Quando a Ana voltou pra Lisboa há dois anos atrás decidimos juntar forças e reinventar a Muxima, com cortes mais clássicos e materiais sustentáveis!

Conta um pouco sobre a produção artesanal… onde ela é feita?

A produção é feita em Portugal onde podemos assegurar a qualidade do produto como também garantir que os direitos dos trabalhadores estão a ser cumpridos. Os acabamentos artesanais são feitos no nosso atelier numa antiga lavandaria de uma quinta em Sintra.

E o algodão? Como é fazer um produto orgânico e com tanta qualidade num mundo que pede e precisa disso, mas ao mesmo tempo dificulta tanto esse processo?

Acreditamos que hajam alternativas às fibras sintéticas provenientes do petróleo. Assim como os governos deveriam criar incentivos pra redução de nossa pegada de carbono, nós, os consumidores, também temos essa responsabilidade e podemos agite diariamente. A Muxima, acredita que não acabou aqui. O público é o principal responsável pelas tendências, por isso acreditamos na importância da conscientização coletiva para que o ecológico deixe de ser nicho. Querer um produto ético não é só uma questão política e social, mas a conservação do meio-ambiente é intrínseca a ideia de verão, praia, bem-estar pessoal.

A Muxima tem alguma loja física além do site (que é lindo!)?

Por enquanto só vendemos online, e temos muito pedidos na Califórnia, que por sinal é onde vemos a garota Muxima que tanto idealizamos, alguém de bem consigo e com o planeta.

Uma ideia pura e bonita como tudo que é feito com o coração! 

 
Ana Quaresma